blog

Como calcular seu salário

10 de Novembro de 2020

por Denise Saito

Faz uns anos que eu anoto absolutamente todos meus gastos. Quando era adolescente, minha mãe dizia que eu tinha que fazer isso e eu achava um saco. Corta a cena pra mim hoje obcecada por planilhas e controle financeiro. Eu também já odiei fazer contas, olhar fatura do cartão e tudo que envolve números. Mas hoje, depois de alcançar a tão sonhada estabilidade financeira, eu amo e não volto mais atrás. Como cheguei aqui? É uma longa história mas pode se resumir em três coisas: reserva de emergência, salário fixo e separação PF/PJ

Hoje vou contar pra vocês como definir o seu próprio salário. Tem algumas formas de chegar nesse valor – à base do chutômetro, chutômetro com testes e por contas. Eu, obviamente, sou do terceiro time.

O meu método usa como base o seu custo de vida. E pra chegar nesse valor, você vai precisar sim fazer um exercício prévio de apuração de dados. Pega pelo menos as três últimas faturas do seu cartão, os três últimos extratos do banco e todas outras informações de gastos que você tiver. Pegou? Ok. Então vem comigo que vou te mostrar como organizar essa parada.

Me mostra tudo!

O que vamos usar aqui são apenas os seus gastos de pessoa física, ou seja, no meu caso, são os gastos da Denise Saito, e não da DENISE LTDA. Pra saber dos gastos da minha empresa e entender como calcular da sua, vem aqui.

O primeiro passo é separar seus gastos em categorias. Defina quais funcionam pra você, depois vai passando linha por linha da sua fatura e extrato e somando em cada categoria. Quando eu faço isso, minhas despesas ficam mais ou menos assim:

  • Habitação
  • Investimentos
  • Alimentação
  • Saúde
  • Transporte
  • Pessoal
  • Pet
  • Educação
  • Outros
  • Lazer
  • TOTAL
  • R$3.200,00
  • R$2.300,00
  • R$1.000,00
  • R$650,00
  • R$400,00
  • R$300,00
  • R$300,00
  • R$300,00
  • R$300,00
  • R$250,00
  • R$9.000,00

Obs: Esses valores são fora de um contexto de pandemia. Durante a quarentena eu diminuí meu salário e enxuguei bastante meus gastos pra passar de forma mais tranquila um período de baixa de trabalhos.

Como você pode ver, meu maior gasto é com Habitação. Nessa categoria, está incluído aluguel, IPTU, alarme de segurança, seguro residencial, conta de luz, conta de água, gás, internet, Netflix e Spotify. Só por curiosidade, pra contexto de valores, eu moro sozinha numa casa no bairro da Aclimação, zona Sul de São Paulo.

Em segundo vem Investimentos. Hoje, 100% dessa grana vai pra minha reserva de emergência, que é minha prioridade no momento. Eu acabei usando bastante dela na pandemia então ainda tô longe de completá-la. Mas o que importa é que ela tá lá crescendo de pouquinho em pouquinho.

Em terceiro vem empatado Alimentação e Saúde. Incluí gasto com supermercado, feira e delivery de restaurante, ou seja, tudo que consumo dentro da minha casa. Saída pra restaurante com amigos ou bar entram na linha de Lazer. Em Saúde está incluído terapia, acupuntura, terapias holísticas, atividades físicas e algum medicamento.

Em quarto, estão empatados Transporte, Pessoal, Pet e Educação. Em Transporte, inclui metrô, ônibus, Uber e algum gasto esporádico com estacionamento, combustível e multas. Em Pessoal é uma mistureba de coisas – conta de celular, farmácia, cabeleireiro e seguro do celular. Em Pet, ração, areia higiênica, remédios, brinquedos e veterinário pros meus dois gatos. Educação inclui livros e cursos.

E por último, Lazer e Outros. Nossa lazer por último?! Que vida horrível!

Eu não costumo sair muito mesmo, mesmo fora de pandemia. E Outros inclui, tarifas bancárias, presentes e todas aquelas coisas que você não sabe em qual categoria encaixar.

Mas, enfim. Fazendo essa separação por categoria, eu chego à conclusão que minha vida, vivendo bem, de forma tranquila, tem um custo mensal de R$9.000. E esse é meu salário. Eu consigo viver com menos se precisar, mas esse é um valor pra passar o mês confortável.

Na verdade, antes meu salário era de R$8.000. Defini esse valor e fui testando pra ver se era mesmo suficiente. Alguns meses (ou muitos meses), eu acabei gastando mais. Com isso, percebi que esse valor não era suficiente pra pagar todas minhas contas. O que fiz? Parei, refiz as contas e estipulei um novo valor. Não adianta nada você chegar num valor mais baixo que o necessário só pra ser econômico mas chegar no fim do mês e ter que resgatar um extra da conta da empresa pra conseguir pagar os boletos. Se isso acontecer, refaça as contas e atualize seu salário. O importante é chegar num valor fixo que seja suficiente todos os meses.

Ter um salário fixo foi uma das coisas que mais me ajudou a ter uma vida mais tranquila. Agora eu sei exatamente quanto eu preciso faturar e ter no fluxo de caixa da empresa pra garantir meu mês seguinte. Esse é o nível máximo de organização financeira que você pode ter como freelancer. E como não miramos baixo aqui, te ensinei o método que vai te levar mais longe e te trazer uma vida mais estável emocional e financeiramente. Mas se depois disso, ainda não te convenci, vem cá que te conto mais a fundo sobre a importância de ter um salário fixo.

⟵ Voltar

Quer receber notificações sobre novos conteúdos e iniciativas?

Tudo certo! 👍🏽
Ops! Algo deu ruim ☹