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Como sobreviver em tempos difíceis

por Denise Saito

28 de Dezembro de 2020

A ideia do Freela School já existia há um tempo mas foi durante a quarentena do COVID-19 que a vida deu uma desacelerada e eu tive tempo pra criar tudo isso que você está vendo aqui. Que bom, mas que ruim. Bom porque eu pude me dedicar a algo que estava na gaveta há um tempo, ruim porque eu tive projetos cancelados, clientes adiando o início de trabalhos e novas propostas ficando cada dia mais raras. Por sorte não fiquei sem trabalho em nenhum momento, em Junho porque eu mesma decidi alocar minha agenda exclusivamente pra Freela School.

Como foi pra mim

Em Março, quando foi declarada oficialmente a quarentena, eu estava com a agenda cheia até o fim de Abril. Tinha dois clientes com projetos em andamento, e vários pagamentos programados pra Março.

Em Abril ainda me paguei um salário normal de R$9.000. No começo do mês não estava sentindo tanto o impacto financeiro da pandemia mas, com o passar do mês, a coisa começou a piorar. Em Maio, reduzi meu salário de R$9.000 pra R$7.000. Cortei muitos gastos supérfluos e fiquei só no extremamente necessário, incluindo minha reserva de emergência. Diminuí o salário mas continuei investindo R$2.000 por mês na reserva. Passei o mês de Junho relativamente ocupada de trabalho, com três projetos acontecendo simultaneamente.

Em Junho, comecei a negar trabalhos pra conseguir focar na Freela School pois estava produzindo o curso (que já não existe mais porque agora é tudo aberto). Foi um risco que corri mas queria muito terminar o curso o quanto antes.

É, mas foi "quase"

R$7.000 pra mim foi quase. Eu tive que usar um pouco da minha reserva de emergência. No mês de Maio eu usei R$1.200 da reserva, ou seja, nesse mês eu precisava de um salário de R$8.200 e não R$7.000. E o que investi na reserva acabou sendo R$800 e não R$2.000.

Aos poucos, os clientes foram voltando e Setembro foi o mês que minha agenda lotou. Foi um mês que choveu cliente e fiz muitas propostas.

No final das contas, acabei resgatando R$10.000 da Reserva. Mas tudo bem, afinal, é pra isso que serve a reserva, certo?

O que me salvou

1. Organização financeira

Tudo se resume a isso. Se não estivesse organizada financeiramente, não saberia quanto são meus gastos e ia ficar bem difícil de recalcular. Eu sei exatamente quanto reduzi do meu salário, onde reduzi custos e quanto usei da Reserva.

2. Reserva de emergência

Já tá até ficando chato mas é isso. TENHA. UMA. RESERVA. DE. EMERGÊNCIA. É ela que vai te ajudar a passar por momentos difíceis como esse com um pouco mais de tranquilidade. Um pouco, porque não tem como estar totalmente tranquilo num contexto como esse. Falo sobre ela aqui.

3. Saber dizer não pra si

É difícil sair da inércia de gastar muito pra gastar pouco. Eu mesma, no mês de Abril quando já tava tendo quarentena, gastei mais que podia. No mês seguinte dei uma reduzida. E no mês seguinte reduzi mais. É difícil passar do tudo pro nada de um dia pro outro. Mas se você tiver o tal do controle financeiro vai conseguir medir melhor esses números e se controlar mais nos próximos meses.

4. Fluxo de caixa

Isso entra como "o que me salvaria" porque, como contei antes, eu não tenho um fluxo de caixa hoje em dia. Se eu tivesse um, ele seria mais uma folga pra me garantir no futuro. Teria alguns salários garantidos antes de ter que usar minha reserva pessoal. Mas eu também tô na luta pra me tornar uma freelancer mais organizada.

O que a pandemia me ensinou é que é sempre bom se planejar pro pior, e ter recursos pra lidar com isso, mas nada prepara a gente pra realidade. A gente pode se planejar mil anos, mas quando algo vem, é sempre mais difícil que imaginávamos. E nada poderia ter nos preparado pra algo assim.

Só nos resta aprender com isso e fazer tudo que for possível pra não sofrer tanto na próxima vez. E esperar que não tenha uma próxima vez.

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