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Como conseguir clientes

2 de Novembro de 2020

por Denise Saito

Conseguir clientes como autônomo começa muito antes da vida de freela. Toda sua trajetória até esse dia conta muito na hora de prospectar. Sua experiência profissional, sua capacidade de autogestão, sua rede de pessoas, sua confiança no que você faz – tudo isso influencia. Eu me tornei freelancer em 2016, depois de trabalhar uns 7 anos como designer em algumas empresas. Por sorte, nunca precisei muito vender meu peixe, os clientes simplesmente aparecem. E eu devo muito disso à rede de pessoas que criei nesses 7 anos trabalhando fixo em empresas.

O melhor jeito de conseguir clientes é pelo boca a boca. Isso é comprovado, toda pesquisa indica isso. Mas como fazer com que as pessoas te indiquem pra outras? Eis a pergunta de ouro. Não tem um único jeito, é uma somatória de fatores. Vou te contar 15 coisas, sim, QUINZE, que podem te ajudar a conseguir mais clientes.

Venham a mim, oh, clientes

1. Encontre seu super poder.

Isso tá muito mais vinculado à sua personalidade que ao seu trabalho. Por exemplo, se você é muito bom em escutar os outros e traduzir o que eles querem dizer em algo físico, isso é um super poder. Ou se você é muito bom em colocar em palavras o que os outros pensam, isso também é um super poder. No primeiro caso, você pode virar um designer e no segundo, um redator. Podem ser coisas mais simples como liderança, capacidade de organização, comunicação, etc. Isso também é chamado de soft skills. Mas o mais importante aqui é entender essa habilidade e perceber que isso te torna especial. Quando um cliente vai te contratar, esse tipo de qualidade te diferencia da concorrência.

2. Tenha um bom portfolio.

Principalmente se você for da área criativa. Qualquer cliente que considerar te contratar vai buscar seu nome no Google e tentar encontrar o que você já fez antes. Seu site não precisa ser o mais revolucionário, mas precisa reunir seus melhores trabalhos. Nessa hora, menos é mais. Foque no que você faz de melhor, e no que você quer vender mais. Falo mais sobre isso aqui.


3. Se inscreva em plataformas de trabalho.

Principalmente pra quem tá começando, essa pode ser uma boa forma de aumentar os trabalhos do seu portfolio e ganhar experiência. Eu nunca fui muito de usar esse tipo de recurso porque, sorte minha, nunca precisei. O que você tem que ter em mente é que tem MUITA gente ali além de você disputando o mesmo prêmio. A concorrência é altíssima e os pagamentos costumam ser baixos. Tenha isso como um trampolim pra te levar mais longe no futuro, mas não foque SÓ nisso. Esperar que sua agenda fique lotada através dessas plataformas é furada. Alguns sites (todos focados na indústria criativa) que eu recomendo são a Creators (uma das melhores na minha opinião), o The Grid (tem vagas freela e vagas fixas), a More Grls (só pra mulheres – em Novembro lançam a versão 2.0), a Genero (ótimo pra quem trabalha com audiovisual, fala inglês e quer descolar uns clientes gringos), o Fiverr (recentemente ganhou sua versão em português), o Upwork (parecido com o Fiverr mas por enquanto só em inglês, porém em dólares 🤑), o Working Not Working (mesmo que o Upwork) e a Workana que você já deve ter ouvido falar. Outro dia vou falar mais sobre porque eu não uso essas plataformas, com exceção da Creators e da Genero.

4. Comece fazendo freelas alocados

E só depois de um tempo passe a trabalhar em casa. Estar no meio das pessoas do mercado e conhecer os diretores é muito importante, principalmente no começo. Mostre sua carinha e faça as pessoas lembrarem de você. Depois de um tempo, quando já estiver com uma demanda mais estável, você pode começar a dar preferência aos trabalhos remotos até chegar ao ponto de recusar trabalhos alocados – se for esse o seu objetivo.


5. Tenha projetos pessoais.

É a melhor forma de mostrar pros outros o que você sabe fazer e como faz. Além disso, conta mais de você que você imagina. Eu sempre tive muitos projetos pessoais e isso me ajudou a criar meu estilo gráfico, refinar minhas habilidades de designer, mas também exercitei muito outras áreas como redação, marketing, programação, fotografia, gestão, planejamento. Num projeto pessoal, você é a única pessoa responsável por tudo e isso te faz aprender muito. Além disso, conta muito sobre seus gostos e aspirações de vida. Se uma empresa de artigos esportivos tá procurando alguém pra criar uma campanha, saber que você ama se exercitar, e ainda tem um projeto nessa área, conta muitos pontos.


6. Se inspire em gente foda.

Procure gente do seu ramo que tenha um trabalho que você admira mas também vá além. Saia da sua área de atuação, busque referências em lugares menos óbvios. Esteja perto de gente que te inspira e estão sempre te surpreendendo. Pode ser no trabalho em si ou na forma de pensar e ver a vida. Não deixe o pensamento "eu nunca vou chegar lá" tomar conta de você. Olhe pra essas pessoas como seu objetivo num futuro próximo. Isso vai te ajudar a crescer e não se acomodar com o lugar onde está hoje – e, consequentemente, te trazer mais autoconfiança e clientes que também confiam em você.


7. Faça as coisas do seu jeito.

Seja autêntico, não siga fórmulas de coisas que já existem só porque elas deram certo. Crie sua própria forma de escrever, de desenhar, de se comunicar. Mostre pro mundo quem é você e não faça coisas só pra que elas dêem certo – faça as coisas porque você quer fazer. Só assim elas vão dar certo de verdade.

8. Tenha um Linkedin.

Eu nunca achei o Linkedin algo muito valioso mas nos últimos meses venho percebendo muito mais movimentação por lá. Ainda é um lugar de referência pra encontrar seu currículo, saber por onde você passou e identificar sua rede. Publique seu trabalho por lá, mostre o que você faz. Eu fiz um único post lá sobre o Freela School quando ainda era Freela Feelings e teve um retorno surpreendente.


9. Publique seu trabalho no Instagram.

Eu não fazia isso até um mês atrás quando decidi superar essa vergonha/medo/preguiça e comecei a compartilhar meu trabalho por lá. Acho que é uma forma mais fácil e acessível das pessoas verem seu trabalho, apesar do alcance ser pequeno. Pode ser numa conta separada, ou junto com sua vida pessoal. Vejo muita gente criando contas exclusivas pra trabalho mas eu decidi misturar tudo mesmo porque já tenho conta demais pra administrar 😅 #semtempoirmão


10. Publique seu não-trabalho no Instagram.

Também é legal saber quem você é fora da hora de trabalho. Gostos pessoais ajudam a convencer um cliente a te contratar ou não – mais ou menos o que falamos no item 5 sobre projetos pessoais. Além disso, se você for da área visual, um Instagram mostra se você tem bom gosto ou não. E, nesse caso, cuide muito bem da sua conta. Eu já julguei muito profissional pelo feed do Instagram (risos) e isso influenciou na contratação.


11. Tenha um modelo de proposta.

É bom passar uma boa primeira impressão e um documento bem feito e personalizado com cuidado pra cada cliente ajuda bastante. O trabalho começa na proposta e o mínimo de esmero é necessário. Mostre pro cliente que você dedicou pelo menos 15 minutos pensando no caso dele. Isso transmite mais profissionalismo e passa mais confiança. Eu falo mais sobre isso aqui e disponibilizo um modelo de proposta pra você baixar (em breve).


12. Tenha postura e maturidade.

Toma cuidado com o coloquialismo em e-mails ou mesmo em reuniões. Coloca uma roupa bonitinha caso for se encontrar pessoalmente e toma cuidado com o fundo das suas vídeo-chamadas. Sem bagunça, pratos sujos, bichinhos de pelúcia ou cartaz do Naruto de fundo (a não ser que faça parte do seu trabalho). Passe uma imagem profissional e madura aos seus potenciais clientes.

13. Tenha um trabalho muito bom.

Ok, meio óbvio, mas não podia deixar de dizer: se seu trabalho não é bom, fica mais difícil conseguir clientes. Ninguém quer pagar por um serviço mal feito. E pra chegar no nível de ter um trabalho muito bom, você vai ter que praticar e praticar e praticar. Pra isso, aquela história das plataformas pode ajudar. No começo você vai ter que trabalhar por menos grana, fazer umas coisas meio chatas, mas tudo isso vai te ajudar a ganhar experiência, construir seu estilo e desenvolver suas habilidades.


14. Trabalhe duro e seja legal com as pessoas.

Já dizia Anthony Burrill. Não adianta nada ter um trabalho muito bom e não ser legal com as pessoas. Isso acaba com sua reputação. Tratar os clientes bem e cultivar bons relacionamentos é muito importante. É o que garante que o tal boca a boca funcione a seu favor. Seja legal com seu cliente hoje, ele vai te indicar pra um amigo, que vai te indicar pra mais um e mais um. E assim você terá clientes vindo te procurar sem ter que fazer nada – além de entregar um serviço muito bom.


15. Continue aprendendo.

Nunca pare de estudar, buscar novos conhecimentos, expandir seus horizontes. Pode ser em novas áreas, ou na mesma área de sempre, mas é importante se manter em movimento pra não ficar pra trás. Essa é uma vantagem dos freelancers, nós estamos sempre buscando novidades e nos mantemos mais atualizados que aqueles que estão acomodados num emprego fixo. Faça disso um diferencial e aumente seu potencial como profissional.


Você deve ter percebido que não existe uma única forma de conseguir clientes. É um conjunto de fatores. Isso tudo junto deve construir seu networking e aumentar as indicações boca a boca. Vai levar um tempo até você conseguir colocar tudo isso em prática – algumas coisas demoram mais que as outras pra surtir efeito. Mas tenha paciência e vá construindo seu reconhecimento aos poucos. Quando for ver, você já chegou lá.

O que diriam os especialistas?

Conversei com a Helene Hermes, fundadora do The Grid, e o Rodrigo Allgayer, fundador da Creators, pra saber o que eles consideram mais importante na hora de um recrutamento.

Helene Hermes

Profissional multidisciplinar com mais de 14 anos de experiência desenvolvendo projetos criativos, de cultura, estratégia e de RH para parceiros como Red Bull, FLAGCX, Walt Disney World, AMBEV e Nubank. Operando no "futuro do trabalho" desde 2012, tem como foco construir comunidades plurais de talentos e testar novos formatos de colaboração. Fundadora da THE GRID, uma consultoria de RH que trabalha com mais de 25 clientes no Brasil e EUA com recrutamento, curadoria e projetos relacionados a pessoas.

Rodrigo Allgayer

Pai da Gaia. Inquieto e entusiasta do trabalho independente. Formado em Marketing e Comunicação Social. Há 20 anos no mercado de comunicação, passou por grandes agências nacionais e internacionais. Fundador e CEO da Creators.llc, plataforma que conecta talentos da indústria criativa a marcas admiradas do mercado, oferecendo suporte, pagamentos e contratos integrados.

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