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Evolução do meu faturamento em 12 anos

por Denise Saito

27 de Novembro de 2020

Disclaimer: Esse post contém altas doses de transparência e sinceridade. Abro, sem filtros, meus números, quanto cobro, quanto ganho e faço isso porque falta essa abertura pra falar de grana e esse tipo de informação é muito valiosa. Meu objetivo é compartilhar conteúdos relevantes, que ajudem você a entender o valor do seu trabalho, não esfregar na cara dos outros quanto eu ganho. Sei que minha realidade tá muito longe da média do Brasil e tenho consciência que o que apresento aqui pode não ser um retrato fiel da minha profissão e da nossa sociedade.

Quando o povo olha esses números aqui, deve ficar pensando como eu cheguei a esse ponto. Como foi essa jornada? Será que ganho isso desde sempre? Será que fui uma estagiária riquíssima? Com certeza não, e é isso que vim te contar hoje.

Meu primeiro emprego foi em 2009, quando tava no segundo ano da faculdade. Foi um estágio, sim, mas eu era a única designer da empresa, ou seja, estagiária e Diretora de Criação ou CCO ao mesmo tempo, risos.

No meu segundo emprego já fui contratada, e uma das únicas vezes que tinha carteira assinada. O terceiro emprego também foi de carteira assinada, mas depois disso entrei no regime PJ. Isso é algo importante de considerar porque o salário líquido de um contratado é quase metade que um PJ ganharia. Mas vamos às verdades que é pra isso que você veio.

Eu quero os números!

Tá preparado pro gráfico mais cabuloso da sua vida? Eu tô emocionada com esse gráfico, não tenho nem palavras, juro. Mas vamos lá. Essa é a curva de evolução do meu faturamento nos últimos 12 anos, desde meu primeiro estágio.

Olha só como a linha era rasteirinha, bem constante no começo da minha carreira e ali no meio deu um salto. E aí, depois de um tempo, virou um eletrocardiograma em ataque cardíaco! hahahaha

Eu sei que tá difícil de ler os números de tanta informação, então vou traduzir o mais importante pra você numa linda tabela. Vou considerar a média por ano, pra não ficar muito extenso. Se você quiser ver a imagem em detalhes, clique sobre a imagem com o botão direito e selecione "Abrir em uma nova aba".

  • 2009
  • 2010
  • 2011
  • 2012
  • 2013
  • 2014
  • 2015
  • 2016
  • 2017
  • 2018
  • 2019
  • 2020
  • R$900,00
  • 0
  • R$2.600,00
  • R$2.516,00
  • R$2.816,00
  • R$4.116,66
  • R$9.520,00
  • R$5.066,66
  • R$6.375,00
  • R$11.416,66
  • R$17.000,00
  • R$15.222,60
  • CLT
  • CLT
  • CLT
  • PJ Fixo
  • PJ Fixo
  • PJ Fixo
  • PJ Freela
  • PJ Freela
  • PJ Freela
  • PJ Freela
  • PJ Freela

Aí dá pra ver bem como foi evoluindo minha média anual de faturamento. Em 2010 eu fiz um intercâmbio e não trabalhei, então ficou zerado. Os maiores saltos foram de 2014 pra 2015 – de R$4.116,66 pra R$9.250,00 – e de 2017 pra 2018 – de R$6.375,00 pra R$11.416,00. Nesses dois casos, meu faturamento quase dobrou!

O melhor ano até hoje foi 2019 mas 2020 não ficou tão atrás se considerar a baixa de clientes que a pandemia trouxe e que o ano ainda não acabou.

O que dá pra concluir com isso

Tá, muito legalzão esse gráfico todo. Mas o que esse monte de número quer dizer? Pensando aqui com meus botões, consegui tirar algumas conclusões meio óbvias, mas vamos a elas.

1. Seu pagamento vai aumentar ao longo do tempo.

Isso vai depender da sua experiência, do seu tempo de carreira, das habilidades que você for desenvolvendo e, claro, das oportunidades que aparecerem na sua vida. E isso de oportunidade é um tema muito delicado – depende da sua classe social, da cor da sua pele, do seu sexo e identidade de gênero, da sua educação, entre outras coisas. Mas, independente disso tudo, você provavelmente vai conseguir aumentar seus pagamentos com o passar do tempo.

2. Começar a vida freela abaixa seu faturamento no começo, mas depois pode subir.

Olha os números entre 2015 e 2016, quando eu fiz minha transição pra carreira solo. Foi de R$9.250 pra R$5.066,66. O primeiro ano foi bem ruim se comparar com a época de trampo fixo. No começo você provavelmente vai sofrer um pouco até conseguir se entender nessa nova forma de trabalho,  conseguir clientes e aprender a vender seu peixe. Por isso é tão importante se organizar financeiramente pra segurar as pontas nesse período de transição.

3. Dá sim pra ganhar bem sendo freela.

Tá, de novo, essa é minha realidade e não necessariamente reflete a sua. Mas aqui dentro da minha bolha, eu consigo ganhar melhor sendo freela que contratada. Ok, faz muito tempo que não me candidato a vagas de emprego e nem sei qual seria meu salário hoje em dia, mas eu duvido que alguém me pagaria mais de R$17.000 pra ser designer, risos.

4. Eu valorizo meu trabalho, logo os clientes também.

O que mudou em 2019 foi que eu virei essa freela convicta que diz não pras ofertas de emprego, que não tem medo de cobrar caro, que não tem medo de receber um não ou dizer um não. Eu passei a acreditar mais no meu trabalho, no meu valor e no meu potencial. Mas isso só aconteceu depois de alcançar o mínimo de independência financeira. Antes disso, eu morria de medo de ficar sem cliente então topava tudo que aparecia. Ou seja, uma coisa depende da outra. Pra ter confiança, eu tenho que organizar minhas finanças. Pra ter as finanças em dia, eu tenho que confiar em mim mesma.

E aí, o que achou do meu graficão? Te ajudou a ter algum insight mágico? Espero que tenha te ajudado a perceber que todo mundo começa de baixo, e sua evolução e crescimento é possível. Eu nunca me conformei com meu lugar e ainda quero continuar melhorando como profissional – e ganhar melhor como consequência. Dinheiro é um meio pra nossa independência, e é lá que eu quero chegar.

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