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As dores e prazeres da vida freela

22 de Dezembro de 2020

por Denise Saito

Ser um profissional independente parece lindo no papel mas a verdade é que não é tão fácil. A gente vive todo dia o desconhecido, e tem que ter um psicológico bem forte pra lidar com isso. Tem gente que nasceu pra ser livre e lida bem com os perrengues. Outros nasceram pra bater ponto e não conseguem lidar com tantas incertezas. Antes de se tornar freelancer é bom ter consciência dos dois lados pra saber o que você vai encontrar no meio do caminho.

O lado negro da força

1. Instabilidade financeira

Essa é provavelmente a queixa mais frequente, principalmente pros iniciantes. Depois de um tempo apanhando, você vai entendendo como a coisa funciona e criando estratégias pra se proteger, mas pode levar um tempo. A gente não consegue garantir que vai ter trabalho no mês seguinte e, se não existe uma reserva de emergência, isso é motivo pra muita ansiedade. Pra contornar isso, só com um plano financeiro organizado e muita disciplina. E não adianta vir com a desculpa que você ganha pouco. Não importa o quanto você ganhe, você sempre tem que guardar uma parcela do seu dinheiro pro futuro.

2. Solidão

Pros introvertidos, isso afeta menos, pros extrovertidos, mais. Mas pra ambos é inegável que faz falta ter gente do lado pra trocar, conversar, aprender e se inspirar. Ser autônomo é muito solitário e muitas vezes isso atrapalha o processo criativo. É sempre bom contar suas ideias pros outros, escutar o que eles pensam e ver as coisas de outra perspectiva. Isso enriquece o trabalho e melhora o resultado. Introvertidos não vão se importar tanto em ficar em casa sem ver gente, já os extrovertidos vão ficar loucos de estar tanto tempo sozinhos. Nesse caso, alugar um espaço ou encontrar amigos pra trabalhar junto pode ser uma solução. Independente do seu perfil, tente sempre compartilhar seu processo com outras pessoas da sua área pra receber novos insights e enriquecer seu trabalho.

3. Dificuldade em se planejar pro futuro

Por mais que você faça planos, muitas vezes eles acabam mudando de última hora. Aquela viagem é adiada por causa de um trabalho irrecusável ou porque um imprevisto comeu todo seu dinheiro. Isso quando você consegue se planejar, porque muitas vezes a necessidade por dinheiro é tanta que não parece possível parar de trabalhar. Férias, o que é isso? Aposentadoria? Nunca ouvi falar. Geralmente freelancer vive o dia de hoje, sem pensar muito no dia de amanhã. Mas isso não é muito saudável, cansa muito e deixa qualquer um ansioso. Pra isso, a reserva de emergência também é uma grande aliada, além de planejamento financeiro e auto-gestão. Aprender a falar não para aquele cliente que apareceu de última hora também ajuda bastante.

4. Muita coisa pra uma pessoa só

Ser autônomo é ser uma empresa de uma pessoa só. Você precisa cuidar de tudo – administração, financeiro, fiscal, atendimento e, quando der tempo, o seu trabalho em si. Com o tempo, a gente acostuma, mas mesmo depois de acostumar não quer dizer que vira gostoso fazer tudo isso sozinho. Vamos encontrando ferramentas e maneiras de aliviar o peso, mas no fim do dia ainda somos os responsáveis. Lidar com cliente, fazer proposta, emitir nota, cobrar pagamento, declarar imposto de renda? Eu sou designer, gente, não nasci pra isso, não!

5. Viver sem ser compreendido

Não é o maior problema do mundo mas é sim um pouco incômodo. A gente vive fora do padrão, não segue as regras impostas pela sociedade e meio que quebra um sistema. É difícil pros outros entenderem isso, e verem como algo normal ou positivo. Julgamento é algo constante. Tem muita inveja envolvida que chega na gente de forma agressiva. "Coitada da fulana, tá desempregada há não sei quanto tempo", ou "Aquela lá passa o dia inteiro em casa, não trabalha, e tá sempre viajando". Meio que foda-se o que pensam, né? Mas é sempre bom estar preparado pra esse tipo de energia negativa e saber se proteger.

É pra isso que eu vivo

1. Liberdade

Ninguém pra te dizer o que fazer, como fazer ou quando fazer. Você escolhe a melhor forma de resolver as coisas e só você pode te julgar. Quer passar o dia inteiro na cama e compensar o trabalho no dia seguinte? Pode. Quer ir pro meio do nada na Ásia e conhecer um país novo enquanto trabalha? Pode. Quer trabalhar que nem um condenado por seis meses e tirar seis meses de férias? Pode. Não tem certo ou errado, cada um decide sua vida.

2. Equilíbrio entre vida pessoal e profissional

Sendo seu próprio chefe, você tem total controle de quanto tempo gasta trabalhando e quanto tempo gasta cuidando da vida. Você consegue trabalhar menos e se dedicar mais às coisas que realmente te fazem bem. Fica mais fácil de cultivar hábitos saudáveis, logo, você tem muito mais qualidade de vida.

3. Ganhar mais

Se você fizer um bom trabalho e souber cobrar, dá pra ganhar bem mais que num trabalho fixo. O aumento do seu faturamento e salário só depende de você. Você não depende de um plano de carreira para crescer. Claro que fazer isso sozinho não é fácil, mas se você tiver planos ambiciosos de crescimento, não tem chefe te dizendo se você pode ou não fazer as coisas.

4. Trabalhar em coisas novas o tempo todo

Novos clientes, novos projetos, novos desafios. Diferente de um emprego fixo, onde você vai sempre pro mesmo lugar, ver as mesmas pessoas, e lidar com os mesmos clientes, sendo freelancer é uma novidade – ou várias – a cada trabalho. Dá muito mais vontade de fazer algo diferente quando você está realmente motivado por algo novo.

5. Continuar aprendendo

Pra conseguir clientes, você precisa se destacar, logo precisa se manter atualizado. Logo, você tem que aprender coisas novas. Aprendendo coisas novas, você se sente motivado pra conseguir novos clientes e aplicar seu conhecimento. Uma coisa leva à outra. E isso nos torna muito mais atualizados que os funcionários fixos de uma empresa. É uma necessidade e um privilégio nos mantermos sempre atualizados.

O peso de cada vantagem e desvantagem varia de pessoa pra pessoa. Pra uns, a solidão pesa tanto que não compensa tanta liberdade. Pra outros, o equilíbrio da vida pessoal compensa qualquer instabilidade financeira. Nem todos nasceram pra ser autônomos, tem quem ame a vida tradicional de trabalho das 9h às 18h. O que importa é você entender o que funciona pra você e fazer o que te faz feliz.

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