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Reserva de emergência e aposentadoria

por Denise Saito

18 de Dezembro de 2020

Uma das coisas que mudaram minha vida de freela foi ter uma reserva de emergência. Enquanto você lê esse texto, minha reserva ainda não está completa. Não é algo que você vai conseguir de um dia pro outro. Precisa de tempo, disciplina e foco na missão. Mas pra mim já tem valido muito a pena. Essa reserva é minha rede de segurança, meu airbag, meu ombro amigo, tudo na minha vida.

É ela quem vai me salvar quando qualquer imprevisto acontecer, e me ajudou muito durante a pandemia. Só de ter ela ali, e saber que ela existe, já fico mais tranquila. Eu farei de tudo pra não precisar usá-la, sempre indo atrás de mais trabalho e novos clientes, mas o fato dela existir faz com que isso seja feito de forma mais tranquila. Se não tivesse essa reserva durante a quarentena, não sei como estaria minha saúde mental no momento.

Resumindo, a reserva não é só pra trazer paz pro bolso, mas também pra cabeça. Principalmente pra cabeça, porque no final das contas, tudo termina em pressão psicológica. Ela garante que você vai conseguir viver com dignidade em tempos de incerteza e segurar as pontas até conseguir mais trabalho.

Eu quero issae

A primeira coisa que você precisa é saber qual é seu custo de vida. Se você ainda não fez isso, volte duas casas e faça. Digamos que você identificou que seu custo de vida mensal é de R$5.000, seguimos para o passo a passo.

1. Defina de quanto será sua reserva.

Geralmente se aconselha pegar seu custo de vida e multiplicar por 6. Nesse exemplo, R$5.000 vezes 6 dá R$30.000. Esse é o objetivo. Alguns consultores financeiros dizem que pra quem é autônomo é melhor ter até um ano de salário guardado. Nesse caso, 5.000 vezes 12 dá R$60.000. Ou seja, qualquer valor entre 30 e 60 mil tá de bom tamanho.

2. Defina quanto você irá guardar mensalmente.

Quanto você vai juntar por mês é muito pessoal, mas acho que qualquer valor entre 10 e 30% é justo. Considerando 10% de R$5.000, seria R$500. 30%, seria R$1.500. Ou seja, qualquer valor entre R$500 e R$1.500 investido mensalmente está ótimo. A diferença é que quanto menor for o valor, mais tempo você vai demorar pra juntar a Reserva toda. No primeiro exemplo, juntando seu custo de vida com R$500 de Reserva, seu salário seria R$5.500. No segundo exemplo, seria de R$6.500.

3. Veja o que faz sentido pra sua empresa.

Desses valores que falamos, qual sua empresa consegue pagar com mais certeza? Não adianta nada definir um valor alto pra ter um salário maior mas não conseguir sustentar a longo prazo. Falamos mais disso aqui, mas o valor que você definir pra sua reserva e pro seu salário tem que caber dentro das contas da sua empresa.

4. Calcule quanto tempo vai demorar para concluir a reserva.

Digamos que nesse exemplo você decidiu formar uma reserva de R$30.000 e investir R$1.500 por mês. Nesse caso, você demoraria 20 meses pra completar sua reserva. É, demora um pouco mesmo mas vale a pena. Pode ser que te dê um pouco de nervoso fazer essa conta e ver que vai demorar dois, três anos pra chegar lá. Mas o que importa é começar e ir aos poucos. Uma hora você chega lá.

5. Defina onde deixar essa grana.

Eu não sou uma autoridade em investimentos mas sei que o ideal é deixar a reserva num lugar que possa ser resgatado com rapidez, que não te cobre altas taxas por isso e que ainda dê um rendimento legal. As alternativas mais imediatas pra esse caso são a poupança, uma conta digital como o NuBank e o Tesouro Selic. Eu falo mais sobre investimentos aqui mas, resumindo, qualquer lugar é melhor que debaixo do colchão.

E lembre-se: a ideia é só usar a reserva para emergências. Se você quiser investir em outras coisas, separe em caixinhas diferentes. O ideal é resgatar naquele momento que você não vai conseguir pagar seu salário ou pra cobrir alguma despesa inesperada. Depois que você descobrir as maravilhas que ela pode fazer por você, sua vida nunca mais será a mesma.

E a aposentadoria?

Pra mim, aposentadoria como freela sempre me pareceu algo muito inatingíveis, muito complicado e quase impossível. Quando fazia as contas, me dava um pouco de palpitação imaginar a quantidade de dinheiro que teria que acumular ao longo da vida.

Imagina que eu, Denise, gostaria de ter uma renda de R$7.000 a partir dos meus 65 anos. Digamos que eu viva até os 95, seriam 30 anos vivendo de renda. Multiplica 7.000 por 12 meses do ano, depois por 30 anos. Isso vai dar R$2.520.000. Esse é o montante que preciso ter acumulado até 2055, quando completo 65 anos. Com isso, divide 2.940.000 por 35 anos (tempo de hoje, 2020, até 2055), dá 72.000 por ano. Por 12 meses, dá R$6.000 por mês que eu precisaria juntar todos os meses até 2055 pra conseguir me aposentar ganhando R$7.000 por mês até meus 95 anos. Já pode chorar?

Isso sem contar com todos os outros investimentos que quero fazer a curto e médio prazo, tipo reserva de emergência, viajar, comprar uma casa. No fim das contas, parece muito impossível guardar tanto dinheiro. E aí, como lidar?

Claro que precisei de uma ajuda nesse tema e convidei a Aninha e a Vic do Invista Como Uma Garota pra conversar sobre isso.

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