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Como começar a vida de freelancer

27 de Outubro de 2020

por Denise Saito

O começo da vida de freela é sempre meio caótico. Nada prepara a gente pra isso. Ninguém ensina sobre isso na faculdade, nos empregos, nos livros e a gente entende mesmo como a coisa funciona na prática. Eu mesma passei por isso e sei como é, por isso vou te dar 8 dicas de coisas que você pode fazer pra aumentar suas chances de ser um freela bem-sucedido. Mas a verdade é que nem todo mundo passa por todos esses passos – nem eu passei por todos eles. Ou seja, se você já é freela e não deu check em todos esses itens, tá tudo bem. Não quer dizer que você vai ser miserável. A gente costuma virar freela meio sem querer, sem planejar, por isso é tão fácil nossa vida virar um caos. Mas se você conseguir seguir alguns desses conselhos, a sua jornada como autônomo vai ser bem mais tranquila.

8 dicas pra se tornar freelancer

1. Seja humilde mas tenha ambição.

Em outras palavras, se você é iniciante, você é iniciante. Se você tem 10 anos de carreira, você tem 10 anos de carreira. Não queira começar hoje ganhando o que o amigo mais experiente ganha. Vá com calma. Todo mundo já foi estagiário um dia, todo mundo já trabalhou por pouco em algum momento. No começo, vai ser difícil conseguir trabalhos muito legais, que deixem seu portfolio muito bonito. Muitas vezes a gente precisa abaixar a cabeça por uma grande oportunidade. Mas isso não quer dizer que você nunca vá ganhar bem ou trabalhar com clientes incríveis. Acredite na sua capacidade de crescer e no seu talento. Valorize a si mesmo. Se você tem uma habilidade, se aproprie dela, tenha orgulho, mostre pro mundo. Saiba que hoje você está aqui mas amanhã você pode ir muito longe.

2. Tenha empregos fixos antes de virar freela.

Se você sair da faculdade e logo em seguida decidir trabalhar sozinho, é assim que você vai ficar –– sozinho. Você vai sair de um lugar onde o mercado não te conhece pra outro onde as pessoas ainda não te conhecem. Pra ser autônomo, é muito importante conhecer pessoas e mostrar pra elas o que você faz. O primeiro emprego não costuma ser o mais incrível, mas te leva ao próximo e ao próximo, e cada lugar por onde você passa é importante. Uma pessoa que você conhece no caminho pode conhecer outras pessoas e essa pode ser uma ponte para potenciais clientes que virão lá na frente.

3. Comece com trabalhos alocados.

E só depois vá migrando para o home-office. Não dá pra garantir que vão te oferecer trabalhos alocados, mas se rolar, aceite. É um forma de continuar próximo das pessoas, continuar conhecendo gente, e fazer com que te conheçam. O bom de ser freela é que você vai de uma empresa pra outra rapidamente e aumenta as chances de falarem de você e te indicarem pra outras pessoas. E, lembre, aquela pessoa que você não dá a menor importância pode ter um amigo ou parente que precisa dos seus serviços. É assim que se começa a criar uma rede de contatos. E quando sentir que já tem uma base sólida, vá migrando aos poucos para o trabalho remoto, se essa for sua preferência.

4. Mostre sua veia empreendedora.

E não tô falando de abrir uma startup e ir pro Shark Tank. Empreendedor é aquele que vê oportunidade onde os outros vêem problemas. Costumam ser pessoas criativas, com capacidade de autogestão e resilientes. Essas são características de freelancers também, afinal freela é um tipo de empreendedor em menor escala. Mostre pras pessoas essas características e aproveite para aperfeiçoa-las. Proponha coisas novas no seu trabalho, tenha projetos pessoais, se junte a amigos pra criar algo legal. Quando a gente empreende, acaba exercitando muitas habilidades que estão fora da nossa caixinha do trabalho e isso é muito importante pra um freela.



5. Aceite (alguns) trabalhos de vitrine.

Pra ser um freela de sucesso, você precisa de clientes. Pra ter clientes, você tem que ter um trabalho muito bom. Pra ter um trabalho muito bom, você precisa de experiência. Pra ter experiência, você precisa praticar. Pra praticar, você tem que começar debaixo e ir evoluindo com o tempo. E pra praticar, muitas vezes, a gente precisa se submeter a um modelo de mercado que talvez não concordemos: ganhar pouco ou nada. Iniciante não é valorizado e isso é uma questão estrutural. Então, nesse cenário, o que podemos fazer é nos encaixar no sistema. Aceitar trabalhar por pouco pra ganhar experiência, aperfeiçoar suas habilidades, seu estilo, sua linguagem. Mas tenha consciência do que você está fazendo e não deixe que abusem de você. Saiba quais são seus objetivos e não se conforme com essa situação.

6. Tenha projetos pessoais.

Projetos pessoais são aqueles que você cria por prazer e não necessariamente pra ganhar muito dinheiro. É algo que nasce dos seus gostos e expressa seus valores e aspirações. A Freela School, por exemplo, começou como um projeto pessoal e acabou se tornando um negócio. Pode ser algo que você faz só como passatempo, como fazer um desenho por dia, por exemplo, ou algo que tenha um propósito maior, como uma iniciativa social. O legal é que quando você tem um projeto pessoal, você acaba exercitando seu lado empreendedor e pensando em muitas outras coisas que não pensaria normalmente. Também é uma forma de divulgar pras pessoas seus talentos e interesses, aumentando o alcance do seu marketing pessoal.

7. Organize suas finanças.

Pra fazer uma transição tranquila e não sofrer tanto, é sempre bom ter uma reserva de emergência pra te ajudar caso não entre dinheiro. Nem todos freelas que conheço fizeram isso, incluindo eu, e se jogaram no mundão da independência com pouca grana no bolso. Pode pra dar certo, mas o sofrimento é bem maior. Principalmente no começo, quando você ainda não tem tanta confiança e experiência, o psicológico pesa bastante. Por isso, se organizar financeiramente é tão importante. Eu falo mais sobre isso no capítulo de educação financeira e mostro como uma planilha pode mudar sua vida.

8. Declare independência e conte pro mundo.

Afinal, de nada adianta virar freela e ninguém ficar sabendo. Crie um portfolio bem bonito, comunique entre os amigos e as pessoas chave (tipo aquele ex-chefe que te ama, ou a amiga empreendedora que conhece meio mundo). Faça as pessoas saberem que você está disponível. Vá além do Instagram e Facebook. Hoje o Linkedin melhorou muito suas métricas e tem sido uma ferramenta importante de divulgação. Se você trabalha com artes visuais, atualize o Behance, se aventure no Pinterest. Não tenha vergonha de mostrar o que você faz.

E quando for ver, você virou freela. Já tá dentro do jogo.


Me mostra o caminho das pedras

Precisa de mais uma ajudinha pra começar? Então vou te orientar sobre os nossos conteúdos mais importantes pra você ler, assistir, anotar e revisar de trás pra frente.


Como montar um bom portfolio: Essa é sua vitrine, por onde seus clientes vão chegar, por isso é super importante se dedicar a isso.

Como conseguir clientes: Conseguir clientes começa muito antes de virar freela e aqui eu dou 15 dicas de como aumentar suas chances de ser contratado.

Como organizar suas finanças: Tudo que você precisa saber e fazer pra não sofrer com a imprevisibilidade da vida de freela.

Como calcular seu salário: Sim, freela tem salário! E se você entender esse conceito de ser empresa e empregado cedo, vai ser ótimo pra sua carreira.

Como cobrar: É um dos maiores desafios da vida freela, por isso é bom começar a praticar desde já!

Como fazer uma proposta: Uma proposta bem feita transmite profissionalismo e maturidade – e não é porque você é iniciante que tem que não pode ter uma proposta incrível!

As desvantagens e desvantagens de ser freelancer: Tem muita coisa difícil nesse estilo de vida e é sempre bom entrar nessa consciente das dificuldades. Mas pra não ficar só no perrengue, também tem muita coisa boa!

Não acaba por aqui

Pra complementar tudo que eu falei, é sempre legal ouvir a experiência de outras pessoas com histórias diferentes. Por isso conversei com a Joana Mendes e o Rudah RIbeiro pra entender como foi o começo da vida de autônomo deles.

Joana Mendes

Joana Mendes é rondoniense, tem 34 anos e é redatora publicitária há 14. Teve passagens por agências como FCB, JWT, Lodduca e Avon Global com clientes como Nívea, Google e Facebook. Em 2012, foi a única brasileira a fazer parte do Young Lions Creative Academy no Festival de Cannes. Além disso, é mentora da SaferLab. Vem falando sobre feminismo, publicidade e ser negro no presente, passado e futuro em lugares como: Festival Share, FestivalPath, Campus Party, Youpix Talks, entre outros. É a criadora do único banco de banco de mulheres negras do mundo. Foi considerada uma das 25 jovens que estão mudando a comunicação pela Papel&Caneta e uma Youpix Builder pelo Youpix.

Rudah Ribeiro

Rudah nasceu no Rio de Janeiro e viveu em São Paulo, Los Angeles, Portland, Paris e hoje reside em Nova Iorque. Em sua carreira, atuou 13 anos como empresario de artistas como Karol Conká, e como produtor executivo em projetos com Marcelo D2, Baiana System, Emicida, Snoop Dogg, entre outros. Recentemente fez parte do time da Nike por 5 anos, responsável pelo marketing cultural da marca em diversos países. Hoje trabalha de forma autônoma com sua agência propria focando em marketing e produção cultural.

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